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A dura realidade do K-pop: apenas 19 grupos se tornaram million sellers em 30 anos


Um novo estudo revela que o sucesso na indústria dos idols é muito mais raro do que o público imagina.

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A dura realidade do K-pop: apenas 19 grupos se tornaram million sellers em 30 anos
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Publicado
4 ago 2026
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7 Min
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Durante décadas, o K-pop foi apresentado ao mundo por meio de histórias de enorme sucesso. BTS lotando estádios, BLACKPINK quebrando recordes, SEVENTEEN vendendo milhões de álbuns e grupos cada vez mais presentes nas principais paradas internacionais ajudaram a construir a imagem de uma indústria que parece crescer sem limites.

Mas por trás desse brilho existe uma realidade muito diferente.

Um estudo publicado recentemente mostra que alcançar o sucesso no K-pop é comparável a passar pelo "buraco de uma agulha". Entre mais de mil grupos que estrearam nos últimos trinta anos, apenas uma pequena parcela conseguiu sobreviver e um número ainda menor alcançou o patamar considerado um verdadeiro fenômeno comercial.


A primeira análise completa de 30 anos da indústria dos idols

O estudo foi publicado na 20ª edição, volume 4, do Journal of the Korean Entertainment Industry Association, sob o título "Sobrevivência e estrutura de sucesso na indústria dos idols de K-pop: uma análise completa de 1.182 grupos estreantes entre 1996 e 2025".

A pesquisa foi conduzida pelo professor Kim Jeong-seop, da Universidade Feminina de Sungshin, especialista em indústria cultural e presidente do Global K-Culture Economy Forum.

Pela primeira vez, um levantamento analisou todos os grupos de idols que estrearam desde o debut do H.O.T., em 1996, até o final de 2025. Ao todo, foram estudados 1.182 grupos, utilizando análise estatística, comparação entre diferentes gerações de artistas e entrevistas aprofundadas com especialistas da indústria.

Mais do que reunir números, o objetivo foi compreender como funciona, na prática, a estrutura competitiva que molda o mercado do K-pop.

NCT
NCT

Quase quarenta novos grupos estreiam todos os anos

Segundo o levantamento, a indústria lançou, em média, 39,4 novos grupos por ano ao longo das últimas três décadas.

Desse total, aproximadamente 19,8 eram boy groups e 19,6 eram girl groups.

Esses números mostram o quanto o mercado é ativo, mas também revelam um cenário de enorme competição.

A cada ano, dezenas de novos artistas disputam espaço em um mercado limitado, onde apenas poucos conseguem conquistar atenção suficiente para permanecer ativos por muito tempo.

Na prática, cada debut representa um investimento alto por parte das agências e uma aposta cujo resultado é extremamente incerto.

SEVENTEEN
SEVENTEEN

A maioria dos grupos não consegue permanecer no mercado

Talvez o dado mais impressionante da pesquisa esteja relacionado ao tempo de sobrevivência dos grupos.

A média de atividade foi de apenas 4,12 anos.

Isso representa pouco menos de 60% do contrato padrão de exclusividade de sete anos normalmente assinado entre artistas e empresas.

Outro dado chama ainda mais atenção.

Apenas 55,03% dos grupos conseguem permanecer ativos durante os três primeiros anos após o debut.

Em outras palavras, quase metade dos grupos deixa o mercado antes mesmo de consolidar sua carreira.

Segundo o professor Kim, isso acontece porque os três primeiros anos funcionam como um verdadeiro teste de sobrevivência.

É justamente nesse período que as empresas avaliam se vale a pena continuar investindo em um grupo. Quando os resultados comerciais ficam abaixo das expectativas, muitos projetos acabam sendo encerrados antes mesmo do fim do primeiro contrato.

TXT
TXT

Boy groups vivem mais do que girl groups

A pesquisa também identificou uma diferença importante entre grupos masculinos e femininos.

Os boy groups permanecem ativos, em média, por 5,11 anos.

Já os girl groups apresentam uma média de apenas 3,13 anos.

A diferença de quase dois anos não está necessariamente relacionada ao talento dos artistas, mas ao modelo econômico da indústria.

Segundo o estudo, grupos masculinos costumam construir fandoms mais fiéis, responsáveis por compras recorrentes de álbuns, produtos oficiais e ingressos para shows.

Já muitos grupos femininos dependem mais do sucesso junto ao grande público, da popularidade em plataformas de streaming e da participação em eventos e campanhas publicitárias.

Essa diferença torna a estabilidade financeira dos boy groups, em muitos casos, mais sustentável ao longo do tempo.

Stray Kids
Stray Kids

Vender muito ainda é privilégio de poucos

Quando se fala em vendas milionárias, a percepção do público pode ser bastante diferente da realidade.

Nos últimos anos, tornou-se comum ver manchetes anunciando álbuns que ultrapassaram um milhão de cópias vendidas.

Entretanto, o estudo mostra que esse resultado continua sendo extremamente raro.

Dos 1.182 grupos analisados, apenas 42 conseguiram vender mais de 300 mil cópias de um único álbum, número frequentemente considerado o ponto em que um projeto começa a atingir equilíbrio financeiro.

Isso representa apenas 3,55% de todos os grupos.

O cenário torna-se ainda mais seletivo quando se observa o número de million sellers.

Somente 19 grupos, o equivalente a 1,61%, conseguiram vender mais de um milhão de cópias de um único álbum ao longo desses trinta anos.

Em outras palavras, para cada cem grupos que estreiam, pouco mais de um consegue atingir esse patamar.

EXO
EXO

Pouquíssimos construíram uma marca verdadeiramente global

O estudo também analisou quais grupos conseguiram estabelecer uma presença internacional sólida por meio das vendas acumuladas de seus álbuns.

Apenas sete grupos ultrapassaram a marca de 10 milhões de álbuns vendidos durante suas carreiras.

São eles:

  • BTS
  • SEVENTEEN
  • Stray Kids
  • EXO
  • TWICE
  • NCT
  • TXT

Esses sete grupos representam apenas 0,59% de todos os idols que estrearam desde 1996.

Segundo o pesquisador, esses resultados demonstram que o sucesso do BTS não foi um caso isolado. Pelo contrário, a indústria entrou em uma nova fase, em que outros grupos também conseguiram construir fandoms globais capazes de sustentar carreiras internacionais de longo prazo.

Ao mesmo tempo, os números mostram o quão difícil continua sendo alcançar esse nível de reconhecimento.

TWICE
TWICE

O que a indústria precisa fazer nos próximos 30 anos?

Além de analisar o passado, o estudo também propõe caminhos para o futuro.

Entre as recomendações estão a criação de sistemas voltados para o desenvolvimento de carreiras de longo prazo, mecanismos que permitam uma segunda oportunidade para artistas e projetos que não obtiveram sucesso inicialmente, além de maior apoio estrutural para pequenas e médias agências.

O pesquisador também defende processos de avaliação mais rigorosos antes do lançamento de novos grupos, evitando estreias excessivas em um mercado já altamente competitivo.

Segundo ele, o crescimento global do K-pop precisa caminhar lado a lado com uma estrutura que permita a sobrevivência de mais artistas dentro da própria indústria.


Cloud Insight ☁

Quando pensamos no K-pop, normalmente lembramos apenas dos grupos que alcançaram o topo das paradas e conquistaram milhões de fãs ao redor do mundo.

Mas esses números mostram uma realidade diferente.

Para cada BTS, BLACKPINK ou SEVENTEEN, existem centenas de grupos que nunca conseguiram completar seu primeiro ciclo de atividades.

Isso não diminui o sucesso da indústria. Pelo contrário.

Talvez seja justamente essa combinação entre talento, investimento, estratégia e uma dose de imprevisibilidade que torne cada grande história do K-pop tão extraordinária.

O estudo também nos lembra que o futuro da Hallyu não dependerá apenas da criação de novos fenômenos globais, mas da capacidade de construir uma indústria mais sustentável, onde mais artistas tenham a oportunidade de desenvolver suas carreiras a longo prazo.

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